sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Atividades sobre o Quinhentismo no Brasil para a 1ª série do Ensino Médio

1- Por que o Quinhentismo é importante mesmo que tenha mais valor histórico do que literário?
2- Quais os tipos de textos produzidos aqui no Brasil durante o Quinhentismo?
3- Qual o gênero textual mais produzido durante o Quinhentismo? O que era mostrado nesses textos?
4- Qual a intenção da Carta de Achamento escrita por Pero Vaz de Caminha?
5- Cite as características da Carta de Caminha.
6- Qual o objetivo da literatura de Catequese? O que era feito para atrair os índios à religião Cristã?

As respostas dessas atividades podem ser encontradas no livro didático de vocês a partir da página 201

quarta-feira, 11 de setembro de 2013


Estrutura da Dissertação

É uma modalidade de composição que visa analisar, ou comentar expositivamente conceitos ou ideias sobre um determinado assunto. Pode apresentar-se de forma expositiva ou argumentativa.
O texto Dissertativo possui uma natureza reflexiva que consiste na ordenação dessas ideias a respeito de um determinado assunto.
Dissertar é debater. Para discutirmos questões dos variados assuntos que a sociedade nos apresenta precisamos da Dissertação.
São três as partes básicas de uma redação:
Introdução, Desenvolvimento e Conclusão
Na Introdução do texto dissertativo encontramos a delimitação de um tema, que também chamamos assunto.
O Desenvolvimento é formado pelos parágrafos que fundamentam a tese. Normalmente,  em cada parágrafo, é apresentado e desenvolvido um argumento. Cada um deles pode estabelecer relações de causa e efeito ou comparações entre situações, épocas e lugares diferentes, pode também se apoiar em depoimentos ou citações de pessoas especializadas no assunto abordado, em dados estatísticos, pesquisas, alusões históricas.
A Conclusão geralmente retoma a tese, sintetizando as ideias gerais do texto ou propondo soluções para o problema discutido.

O trabalhador brasileiro, em sua grande maioria, recebe salário mensal que tem como ponto de referência a chamada "Cesta Básica". Leia o texto a seguir e, baseado no que ele significa para você, escreva a sua redação, dissertativa.
COMIDA 

(Arnaldo Antunes/ Marcelo Fromer/Sérgio Britto) 
Bebida é água 
Comida é pasto
Você tem sede de quê? 
Você tem fome de quê? 
A gente não quer só comida, 
A gente quer comida, diversão e arte. 
A gente não quer só comida, 
A gente quer saída para qualquer parte. 
A gente não quer só comida, 
A gente quer bebida, diversão, balé. 
A gente não quer só comida, 
A gente quer a vida como a vida quer.
Bebida é água. 
Comida é pasto. 
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê? 
A gente não quer só comer, 
A gente quer comer e quer fazer amor. 
A gente não quer só comer,
A gente quer prazer pra aliviar a dor.
A gente não quer só dinheiro, 
A gente quer dinheiro e felicidade. 
A gente não quer só dinheiro, 
A gente quer inteiro e não pela metade.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Modernismo - 1ª fase - atividades

1 - O Modernismo no Brasil teve influência de várias correntes artísticas estrangeiras. Como estas correntes são chamadas?
Resposta:  (Duas palavras, 10 e 9 letras)
2 – Apresentação feita no Teatro Municipal de São Paulo que marcou o início o Modernismo no Brasil:
Resposta:  (Quatro palavras, 6,2,4, 7 letras)    
3 - A Primeira Fase do Modernismo no Brasil tem como características marcantes em suas obras:
a) Crítica social; descontração e irreverência; presença de formas tradicionais clássicas; volta para o sentimento do ser humano.
b) Linguagem escrita aproximada da falada; construção da imagem brasileira baseada no popular e no cotidiano; presença do nacionalismo; predomínio do humor, ironia, descontração e irreverência; rejeição de padrões literários e gramaticais tradicionais.
c) Construção da imagem brasileira baseada na figura do índio herói e na natureza exuberante; sentimentalismo; subjetivismo.
d) Presença de símbolos e imagens que sugerem a realidade, sem mostra-la objetivamente; gosto por temas vagos, como o sonho; temáticas pessimistas; entrada no campo espiritual.
4 - Quais os principais autores da Primeira Fase do Modernismo brasileiro?
a) Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Jorge Amado, José de Alencar.
b) Graciliano Ramos, Jorge Amado, Cecilia Meireles, Vinicius de Moraes, Mário de Andrade, Oswald de Andrade.
c)   Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Graça Aranha, Guilherme de Almeida.
d) Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Guilherme de Almeida.
e)  Mário de Andrade, Antônio de Alcântara Machado, Guilherme de Almeida, José de Alencar, Machado de Assis.
5) No início do século XX, a Literatura assumia um novo caráter, buscando o rompimento com as Características literárias do passado (especialmente do parnasianismo) e a liberdade de criação. Essa nova linha literária é conhecida como:    
a) Modernismo      b) Simbolismo      c) Parnasianismo       d) Realismo  
   
6- Fale com suas palavras sobre o que você entendeu sobre o Modernismo-1ª fase e a importância da Semana de Arte Moderna.

7- O objetivo da Semana da arte moderna era apresentar uma literatura:
a) tradicional       b) romântica      c) inovadora        d) subjetiva

8- Como a sociedade brasileira encarou os movimentos modernistas no início do século XX?

9- Em 1917, uma polêmica antecipou a agitação da Semana, quando o artigo 'Paranoia ou Mistificação?' atacou a obra da pintora Anita Malfatti. Quem escreveu o artigo?
a) Paulo Prado 
b) Lasar Segall 
c) Monteiro Lobato 
d) Washington Luís 

10) Nas artes plásticas, Tarsila do Amaral é considerada por muitos a principal pintora modernista brasileira. Desse período, quais são duas de suas obras mais famosas?
a) O Homem Amarelo e Abaporu
b) Abaporu e Antropofagia
c) Juca Mulato e Antropofagia
d) Antropofagia e A Índia

11-Shows, conferências, saraus, vaias. Que local de São Paulo sediou a programação da Semana de Arte Moderna?
a) Teatro Municipal 
b) Masp (Museu de Arte de São Paulo) 
c) Palácio Anhangabaú 
d) Faap (Fundação Armando Álvares Penteado)

12) Em um período repleto de agitações, os intelectuais brasileiros enxergaram a necessidade de romper com os valores estéticos dominantes, representados principalmente pelos poetas parnasianos, dando origem a um estilo novo e transformador. No Brasil, esse descontentamento que originou a Semana de Arte Moderna foi bastante explorado na literatura. Qual dos escritores abaixo não fazia parte do movimento modernista?
a) Oswald de Andrade
b) Euclides da Cunha 
c) Manuel Bandeira 
d) Guilherme de Almeida


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Atividades Avaliativas de Concordância Verbal

1-Reescreva as orações a seguir fazendo a concordância verbal adequada.
a)      Amanhã a turma do 8º ano (sair) em excursão.
......................................................................................................
b)      Meu irmão, minha prima e eu (chegar) do cinema agora.
......................................................................................................
c)      (ser) sempre eu que (fazer) a ilustração dos trabalhos.
......................................................................................................
d)      Exatamente às 20 horas (entrar) a cantora e os músicos, e o espetáculo se iniciou.
.....................................................................................................
e)       Eu e você nada (ter) em comum.
......................................................................................................
f)      O diretor, a coordenadora e a professora de literatura (orientar) o debate, depois do intervalo .
...................................................................................................
g)      Há muito tempo o povo não (sair) às ruas para protestar.
......................................................................................................
h)        Desta vez será a minha equipe que (guardar) a rede de vôlei.
......................................................................................................
2- Nas frases a seguir, efetue a concordância, escolhendo a forma verbal adequada:
a- A maioria dos políticos ___________ contra . (votou/votaram)
b- Uma multidão de torcedores ___________. (gritava/gritavam)
c- Um enxame __________ no telhado. (pousou/pousaram)
d- Um enxame de abelhas africanas ___________no telhado. (pousou/pousaram)
e- A maioria dos custos ____________________. (seria revista/ seria revistos)
f- A maioria ali ____________ a reforma. (apoiou/apoiaram)
g- Cerca de vinte pessoas ___________ na delegacia. (acabou/acabaram)
h- Mais de um policial ____________ no local. (esteve/estiveram)
i- 20% dos municípios não _____________ acertar as contas com o Estado. (conseguiu/conseguiram)
j- 80% da Mata Atlântica não ______________à ação do homem. (resistiu/resistiram)
k- 1% dos eleitores, apenas, ______________ em partidos de direita. (votou/votaram)
o- Os Sertões ______________ muitos historiadores. (influenciou/influenciaram)
p- Os Estados Unidos ______________ o Iraque. (invadiu/invadiram)
u- Fui eu que __________ os exercícios. (fiz/fez)
v- Fomos nós quem _____________  o quadro.(pintou/pintamos)

3-  Complete fazendo a devida concordância do verbo entre parênteses.

a- A multidão aglomerada na avenida ________________ o trânsito. (atrapalhava/atrapalhavam)

b- Os Estados Unidos _______________ com a anistia. (concordou/concordaram)

c- Santos __________ uma cidade litorânea. (é/são)

d- O pessoal _____________ animado. (continua/ continuam)

e- A multidão _______________ sobre o acampamento. (avançou/avançaram)

f-  João e seu irmão  ___________ nesta loja. (vende/vendem)


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Famigerado (Guimarães Rosa)



Foi de incerta feita — o evento. Quem pode esperar coisa tão sem pés nem cabeça? Eu estava em casa, o arraial sendo de todo tranquilo. Parou-me à porta o tropel. Cheguei à janela.

Um grupo de cavaleiros. Isto é, vendo melhor: um cavaleiro rente, frente à minha porta, equiparado, exato; e, embolados, de banda, três homens a cavalo. Tudo, num relance, insolitíssimo. Tomei-me nos nervos. O cavaleiro esse — o oh-homem-oh — com cara de nenhum amigo. Sei o que é influência de fisionomia. Saíra e viera, aquele homem, para morrer em guerra. Saudou-me seco, curto pesadamente. Seu cavalo era alto, um alazão; bem arreado, ferrado, suado. E concebi grande dúvida.

Nenhum se apeava. Os outros, tristes três, mal me haviam olhado, nem olhassem para nada. Semelhavam a gente receosa, tropa desbaratada, sopitados, constrangidos coagidos, sim. Isso por isso, que o cavaleiro solerte tinha o ar de regê-los: a meio-gesto, desprezivo, intimara-os de pegarem o lugar onde agora se encostavam. Dado que a frente da minha casa reentrava, metros, da linha da rua, e dos dois lados avançava a cerca, formava-se ali um encantoável, espécie de resguardo. Valendo-se do que, o homem obrigara os outros ao ponto donde seriam menos vistos, enquanto barrava-lhes qualquer fuga; sem contar que, unidos assim, os cavalos se apertando, não dispunham de rápida mobilidade. Tudo enxergara, tomando ganho da topografia. Os três seriam seus prisioneiros, não seus sequazes. Aquele homem, para proceder da forma, só podia ser um brabo sertanejo, jagunço até na escuma do bofe. Senti que não me ficava útil dar cara amena, mostras de temeroso. Eu não tinha arma ao alcance. Tivesse, também, não adiantava. Com um pingo no i, ele me dissolvia. O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo. O medo O. O medo me miava. Convidei-o a desmontar, a entrar.

Disse de não, conquanto os costumes. Conservava-se de chapéu. Via-se que passara a descansar na sela — decerto relaxava o corpo para dar-se mais à ingente tarefa de pensar. Perguntei: respondeu-me que não estava doente, nem vindo à receita ou consulta. Sua voz se espaçava, querendo-se calma; a fala de gente de mais longe, talvez são-franciscano. Sei desse tipo de valentão que nada alardeia, sem farroma. Mas avessado, estranhão, perverso brusco, podendo desfechar com algo, de repente, por um és-não-és. Muito de macio, mentalmente, comecei a me organizar. Ele falou:

"Eu vim preguntar a vosmecê uma opinião sua explicada..."

Carregara a celha. Causava outra inquietude, sua farrusca, a catadura de canibal. Desfranziu-se, porém, quase que sorriu. Daí, desceu do cavalo; maneiro, imprevisto. Se por se cumprir do maior valor de melhores modos; por esperteza? Reteve no pulso a ponta do cabresto, o alazão era para paz. O chapéu sempre na cabeça. Um alarve. Mais os ínvios olhos. E ele era para muito. Seria de ver-se: estava em armas — e de armas alimpadas. Dava para se sentir o peso da de fogo, no cinturão, que usado baixo, para ela estar-se já ao nível justo, ademão, tanto que ele se persistia de braço direito pendido, pronto meneável. Sendo a sela, de notar-se, uma jereba papuda urucuiana, pouco de se achar, na região, pelo menos de tão boa feitura. Tudo de gente brava. Aquele propunha sangue, em suas tenções. Pequeno, mas duro, grossudo, todo em tronco de árvore. Sua máxima violência podia ser para cada momento. Tivesse aceitado de entrar e um café, calmava-me. Assim, porém, banda de fora, sem a-graças de hóspede nem surdez de paredes, tinha para um se inquietar, sem medida e sem certeza.

— "Vosmecê é que não me conhece. Damázio, dos Siqueiras... Estou vindo da Serra..."

Sobressalto. Damázio, quem dele não ouvira? O feroz de estórias de léguas, com dezenas de carregadas mortes, homem perigosíssimo. Constando também, se verdade, que de para uns anos ele se serenara — evitava o de evitar. Fie-se, porém, quem, em tais tréguas de pantera? Ali, antenasal, de mim a palmo! Continuava:

— "Saiba vosmecê que, na Serra, por o ultimamente, se compareceu um moço do Governo, rapaz meio estrondoso... Saiba que estou com ele à revelia... Cá eu não quero questão com o Governo, não estou em saúde nem idade... O rapaz, muitos acham que ele é de seu tanto esmiolado..."

Com arranco, calou-se. Como arrependido de ter começado assim, de evidente. Contra que aí estava com o fígado em más margens; pensava, pensava. Cabismeditado. Do que, se resolveu. Levantou as feições. Se é que se riu: aquela crueldade de dentes. Encarar, não me encarava, só se fito à meia esguelha. Latejava-lhe um orgulho indeciso. Redigiu seu monologar.

O que frouxo falava: de outras, diversas pessoas e coisas, da Serra, do São Ão, travados assuntos, inseqüentes, como dificultação. A conversa era para teias de aranha. Eu tinha de entender-lhe as mínimas entonações, seguir seus propósitos e silêncios. Assim no fechar-se com o jogo, sonso, no me iludir, ele enigmava: E, pá:

— "Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: fasmisgerado... faz-megerado... falmisgeraldo... familhas-gerado...?

Disse, de golpe, trazia entre dentes aquela frase. Soara com riso seco. Mas, o gesto, que se seguiu, imperava-se de toda a rudez primitiva, de sua presença dilatada. Detinha minha resposta, não queria que eu a desse de imediato. E já aí outro susto vertiginoso suspendia-me: alguém podia ter feito intriga, invencionice de atribuir-me a palavra de ofensa àquele homem; que muito, pois, que aqui ele se famanasse, vindo para exigir-me, rosto a rosto, o fatal, a vexatória satisfação?

— "Saiba vosmecê que saí ind'hoje da Serra, que vim, sem parar, essas seis léguas, expresso direto pra mor de lhe preguntar a pregunta, pelo claro..."

Se sério, se era. Transiu-se-me.

— "Lá, e por estes meios de caminho, tem nenhum ninguém ciente, nem têm o legítimo — o livro que aprende as palavras... É gente pra informação torta, por se fingirem de menos ignorâncias... Só se o padre, no São Ão, capaz, mas com padres não me dou: eles logo engambelam... A bem. Agora, se me faz mercê, vosmecê me fale, no pau da peroba, no aperfeiçoado: o que é que é, o que já lhe perguntei?"

Se simples. Se digo. Transfoi-se-me. Esses trizes:

 Famigerado?

— "Sim senhor..." — e, alto, repetiu, vezes, o termo, enfim nos vermelhões da raiva, sua voz fora de foco. E já me olhava, interpelador, intimativo — apertava-me. Tinha eu que descobrir a cara. — Famigerado? Habitei preâmbulos. Bem que eu me carecia noutro ínterim, em indúcias. Como por socorro, espiei os três outros, em seus cavalos, intugidos até então, mumumudos. Mas, Damázio:

— "Vosmecê declare. Estes aí são de nada não. São da Serra. Só vieram comigo, pra testemunho..."

Só tinha de desentalar-me. O homem queria estrito o caroço: o verivérbio.

 Famigerado é inóxio, é "célebre", "notório", "notável"...

— "Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?"

— Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos...

— "Pois... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia-de-semana?"

 Famigerado? Bem. É: "importante", que merece louvor, respeito...

— "Vosmecê agarante, pra a paz das mães, mão na Escritura?"

Se certo! Era para se empenhar a barba. Do que o diabo, então eu sincero disse:

— Olhe: eu, como o sr. me vê, com vantagens, hum, o que eu queria uma hora destas era ser famigerado — bem famigerado, o mais que pudesse!...

— "Ah, bem!..." — soltou, exultante.


Saltando na sela, ele se levantou de molas. Subiu em si, desagravava-se, num desafogaréu. Sorriu-se, outro. Satisfez aqueles três: — "Vocês podem ir, compadres. Vocês escutaram bem a boa descrição..." — e eles prestes se partiram. Só aí se chegou, beirando-me a janela, aceitava um copo d'água. Disse: — "Não há como que as grandezas machas duma pessoa instruída!" Seja que de novo, por um mero, se torvava? Disse: — "Sei lá, às vezes o melhor mesmo, pra esse moço do Governo, era ir-se embora, sei não..." Mas mais sorriu, apagara-se-lhe a inquietação. Disse: — "A gente tem cada cisma de dúvida boba, dessas desconfianças... Só pra azedar a mandioca..." Agradeceu, quis me apertar a mão. Outra vez, aceitaria de entrar em minha casa. Oh, pois. Esporou, foi-se, o alazão, não pensava no que o trouxera, tese para alto rir, e mais, o famoso assunto.

Texto extraído do livro "Primeiras Estórias", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1988, pág. 13.

1-     A recriação do mundo sertanejo pela linguagem, a partir da apropriação de recursos da oralidade, é uma constante na obra de Guimarães Rosa, chegando mesmo a ser essa uma das características mais expressiva de sua obra. Retire do texto palavras e expressões que justifiquem sua resposta.

2-     No conto Famigerado, um médico do interior, também narrador da história, recebe a visita de quatro cavaleiros rudes do sertão. Seu líder, Damásio, conhecido assassino da região, quer que o doutor, pessoa letrada do lugar, o esclareça a respeito do significado da palavra “famigerado”, pois ouviu esta palavra de um moço do governo. A resposta dada pelo Doutor para o significado da palavra corresponde ao que de fato aconteceu quando essa foi proferida pelo homem do governo? Justifique.

3-     Neologismo é a arte de criar palavras, emprestar novos sentidos às palavras existentes ou ainda inserir palavras provindas de outros idiomas à determinada língua. Retire do texto três exemplos de neologismo e indique o processo de formação das palavras.

4-      O conto “Famigerado” se potencializa pelo modo de enfrentar a palavra e de considerar a linguagem, pois essa revela o universo no qual a personagem está inserida, assim, o conto se tematiza pelo jogo linguístico que nele é travado. Na seguinte fala de Damásio: “- Pois... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia de semana?”, o que está sendo proferido, qual é o pedido dele ao doutor?

5-     Sabendo que língua literária destaca o plano de expressão, o que significa a expressão estar com “o fígado em más margens?”


6-     Que elementos do conto literário é possível perceber no texto “Famigerado” de Guimarães Rosa?

Todas as Vidas ( Cora Coralina)




Vive dentro de mim
Uma cabocla velha
De mau-olhado,
Acocorada ao pé do
Borralho,
Olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...

Vive dentro de mim
A lavadeira do Rio
Vermelho.
Seu cheiro gostoso
D’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
Pedra de anil,
Sua coroa verde de são-
Caetano.

Vive dentro de mim
A mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem-feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
Toda pretinha.
Bem cacheada de
Picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.

Vive dentro de mim
A mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
Desabusada, sem
Preconceitos,
De casca-grossa,
De chinelinha,
E filharada.

Vive dentro de mim
A mulher roceira.
- Enxerto da terra,
Meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
Do pé no chão.
Bem parideira.
Bem carideira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.

Vive dentro de mim
A mulher da vida.
Minha irmãzinha...
Tão desprezada,
Tão murmurada...
Fingindo alegre seu triste
Fardo.

Todas as vidas dentro de
Mim:
Na minha vida –
A vida mera das
Obscuras.





Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889Goiânia, 10 de abril de 1985) foi uma poetisa e contista brasileira. Cora Coralina, uma das principais escritoras brasileiras, publicou seu primeiro livro aos 76 anos de idade.
Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.
Saudada por Carlos Drummond de Andrade no Jornal do Brasil, a 27 de dezembro de 1980, Cora Coralina, ganhou a atenção e passou a ser admirada por todo o Brasil.
Preocupada em entender o mundo no qual estava inserida, e ainda compreender o real papel que deveria representar, Ana parte em busca de respostas no seu cotidiano, vivendo cada minuto na complexa atmosfera da Cidade de Goiás, que permitiu a ela a descoberta de como a simplicidade pode ser o melhor caminho para atingir a mais alta riqueza de espírito.

1- Que tipo de mulher é esta apresentada  no poema?

2- Interprete a 6ª estrofe do poema.

3- Retire do poema elementos que lembrem a zona rural ou o interior.

4- O que significa uma Mulher “bem parideira. Bem carideira”?

5- Agora retrate você. O que vive dentro de você? Faça uma paráfrase deste texto de Cora Coralina, falando um pouquinho de você, seus sonhos, gostos, hábitos, desejos...